Episodes

Nov 18, 2024
Nov 18, 2024
1hr 27 min
É sensato seguirmos apostando em soluções macro (que ignoram as nuances de cada território) vindas da macropolítica, tendo tantas evidências de que o sistema vigente está cada vez mais cooptado pelas corporações?
As evidências compiladas nas últimas décadas confirmam a melhora ou a decadência da autonomia, saúde e dignidade das pessoas comuns?
Nessa terceira temporada da #jornadadojardineiro eu abordo um assunto espinhento para o socioambiental e grande parte dos produtores agroecológicos no Brasil: a necessidade de protagonizarmos a dimensão econômica do nosso viver com ética ecológica e sem contar com políticas públicas e editais corporativos para que tenhamos sucesso.

Nov 2, 2024
Nov 2, 2024
1hr 6 min
"O dinheiro está para o tecido social como a água para a paisagem. É o agente de transporte, o delineador e carreador das trocas. Como água, não é o montante total de dinheiro entrando para uma comunidade que conta; é o número de usos e deveres para os quais nós podemos direcionar o dinheiro e o número de ciclos de uso que mede a disponibilidade de determinado dinheiro." "Nós deveríamos desenvolver ou criar riqueza, assim como desenvolvemos paisagens, nos concentrando na conservação da energia e dos recursos naturais (diminuindo a necessidade de ganho), desenvolvendo recursos procriativos (proliferando florestas, pradarias e ecossistemas), reduzindo a criação de recursos degenerativos (estradas, monumentos, cidades) e constantemente nos desinvestindo de qualquer riqueza excedente para esses fins. " (Mollison, 1988. p.534). A injustiça do nosso tempo é que as pessoas que menos tem condições de investir em uma vida autônoma e saudável, são as que mais tem necessidade de fazê-lo! Mas independente da condição econômica, para vivermos bem no campo precisamos gastar o menos possível, evitar dívidas que coloquem nosso viver em risco e planejar serviços e produtos que nos remunerem justamente. Nesse último episódio da segunda temporada da Jornada do Jardineiro abordamos as camadas #9Economia e #10Energia da EPLC. Nota: A aula magna do David Holmgren "Desenho para prevenção, combate e resiliência contra queimadas" alcançou bastante gente interessada em praticar as soluções graças ao apoio do Sérgio Pamplona, Jorge Timmermann, Nilson Dias, equipe do NEPerma, alunos e amigos que compartilharam em suas redes. Muito obrigado a todos vocês! Uma pena que muitas pessoas com bastante alcance nas redes e um discurso de abundância, não conseguiram compartilhar sua autoridade recomendando a aula.

Oct 26, 2024
Oct 26, 2024
52 min
Entre a abordagem química degradante e a biológica preconizada por cientistas como Ana Primavesi e Albert Howard, Yeomans encontrou uma interveção mecânica, hídrica e geomorfológica que junto com a integração de corredores florestais e o manejo apropriado dos animais, conseguia criar mais de 20cm de solo vivo e saudável em poucos anos. Esse episódio fala da camada #8solo na EPLC. "Mesmo com todas as nossas conquistas, devemos a nossa existência aos 15cm de solo superior e à chuva". A história do declínio das civilizações passa sempre pela soberba, extrativismo e desconexão com o chão que pisamos. "Essa camada é feminina, tem alma, abriga a vida. Recebe sementes que nela criam raízes. Se renova a cada 28 dias com o passar da lua. Seus cabelos, a vegetação, colhem a energia do sol com a qual ela alimenta do micro à megafauna. A água da chuva, que escorre em seus cabelos chega às suas fendas recarrega lençóis freáticos, rios e lagos, mas antes mata a sede de todos que habitam nela. Como uma mãe, sempre guarda um pouco para a providência. "Com o sol, a água e toda a biodiversidade essa camada gera TODOS OS NUTRIENTES que amparam a vida dá uma função saudável as paisagens. Relacionamentos de interdependência complexos onde um não pode funcionar bem sem os outros. Onde o dar de todos cria algo novo, maior e misterioso. "Não devemos pisar nessa camada, mas habitá-la. Ao vê-la descoberta ardendo ao sol ou queimando de frio, devemos cobrí-la. E antes de tirarmos o que queremos, precisamos nutrí-la. Nutrida ela dá mais do que precisamos! Tem cheiro doce! Amada, cresce em mistério e complexidade. Ela recebe o sol, purifica a água, gera e nutre a vida. O substantivo masculino não dá conta de representá-la! Os trechos acima são do texto "Solo um Substantivo Feminino" e cabem bem para descrever esse episódio sobre a camada 8 da EPLC na #jornadadojardineiro #escaladepermanênciadalinhachave

Oct 10, 2024
Oct 10, 2024
54 min
As primeiras cercas fixas eram cercas vivas mantidas pelos proprietários ou artesãos especializados. Durante muito tempo usamos cercas de pedra, quase sempre construídas por trabalho escravo. Com o advento da cerca de arame farpado no final do século 19, conseguimos cercar melhor as propriedade. Com isso, gradualmente abandonamos as cercas e passamos a usar as de arame, causando grandes danos aos ecossistemas e movimentos migratórios dos animais. A habilidade de desconsiderar cercas existentes enquanto desenhamos é essencial para conseguirmos criar fluxos mais energeticamente eficientes na prioridade (Dan Palmer). O Yeomans confirma essa noção quando dizia que “a maioria dos produtores só acerta o lugar da cerca perimetral.” As cercas são investimentos caros. Seu posicionamento, orientação em relação ao relevo, ao sol e o tipo de produção, podem melhorar ou piorar o funcionamento, a lucratividade e a qualidade de vida em uma propriedade. Quanto mais móveis, eficientes, adaptadas ao contexto de cada um, melhor. Episódio sobre #7cercasesubdivisões disponível nas plataformas de áudio e vídeo.

Oct 3, 2024
Oct 3, 2024
49 min
Até relativamente pouco tempo atrás os recursos para construção de edificações econômicas e multifuncionais tinham que vir da própria propriedade ou da biorregião e o maior insumo era o conhecimento de hidráulica, arquitetura e engenharia. Enquanto foi assim, o conhecimento tradicional nos ensinava a construir com recursos renováveis, com autonomia e soberania de insumos e ferramentas com eficiência energética; tanto em relação aos meios de construção quanto ao conforto térmico. A regionalidade nos ensinava rapidamente sobre a biocapacidade tornando o esgotamento de recursos ou o saneamento mal feito uma punição quase que imediata. Da revolução verde para cá, as edificações de moradia e produção passaram a custar um percentual muito alto da liquidez dos empreendimentos rurais. É possível dizer que a propaganda da escala industrial usa o custo das edificações de produção para amarrar o produtor rural em um financiamento onde ele perde o domínio de sua propriedade. No papel a propriedade é do produtor, mas na prática é do banco que cria uma plataforma de escoamento para as corporações mineradoras, farmacêuticas e petroquímicas. Produtores rurais de sucesso concentram seus esforços na criação de uma fazenda móvel, onde o capital está no conhecimento, na informação e no manejo e não na infraestrutura. (Salatin)

Sep 29, 2024
Sep 29, 2024
57 min
Nossos sistemas de produção vegetal e animal, assim como empreendimentos que não estão no setor primário, devem estar a serviço da nossa viabilidade, qualidade de vida e saúde do território ao mesmo tempo.
O território rural é a base a partir da qual nós podemos criar viabilidade à partir da eficiência energética e aumento da biocapacidade. Em todo ecossistema, quando os 4 processos ecossistêmicos funcionam bem, a sucessão ecológica aporta cada vez mais espécies de longo prazo e de maior porte.
É esse excedente ecológico que devemos transformar em viabilidade. Quando não desenhamos nossos sistemas de produção para funcionar assim, passamos a ter que compensar com insumos as agressões contra os processos ecossistêmicos e o cabo de guerra contra a sucessão ecológica.
Quando pensamos primeiro as camadas #1Clima, a #2Geografia, #3Água e #4Acessos otimizamos o fluxo solar energético (pelo aspecto e a localização), a eficiência energética (pela topografia) e a irrigação (por gravidade). Aliada com os princípios de cobertura de solo e decomposição biológica da matéria orgânica (ciclagem de nutrientes), de estratificação (fluxo solar energético), de infiltração da água de chuva (apoiada pelos dois anteriores), a EPLC nos torna mais eficientes na utilização dos sistemas de produção para otimizar a saúde ecológica do lugar.
Esse é o episódio n.06, da segunda temporada da Jornada do Jardineiro, sobre a camada #5SistemasdeProdução Já disponível nas plataformas de áudio e vídeo.

Sep 19, 2024
Sep 19, 2024
1hr 15 sec
Estradas rurais mal posicionadas no relevo acarretam muitos gastos extras com manutenção, desgaste de veículos, dificuldade de acesso e prejuizo com erosão (e.g. solo que se esvai em ravinas e voçorocas). Enxergar as estradas como "telhados" do terreno captando água para ser redistribuida e armazenada em pontos específicos levou o Bill Zeedyk a aconselhar sempre que "é melhor uma estrada mal feita no lugar certo que uma estrada bem feita no lugar errado".
A EPLC nos ensina a enxergar a estrada como sistemas de capitação e distribuição de água e de orientação dos serviços (e.g. encanamentos, eletricidade e serviços em geral). O estudo do #1clima, da #2Geografia e da #3Água nas camadas anteriores orienta a implementação das estradas alinhadas pelas cumeeiras ou pelas curvas de nível. Os canais de conservação de água, a #LinhaChave , as valas de irrigação por inundação e o posicionamento das barragens nas áreas mais planas na propriedade dialogam diretamente com o posicionamento das estradas.
Em suma, as estradas são estruturas relativamente muito fixas (camada #4 das 8 originais) que devem ser bem planejadas, implementadas e mantidas. Elas tem papel importante no sucesso energético, econômico e hídrico da propriedade.
#escaladepermanênciadalinhachave #4acessoseserviços #planejamentodepropriedadesrurais

Sep 17, 2024
Sep 17, 2024
56 min
Os animais bem manejados também plantam água! A descoberta de como nosso manejo dos animais pode impactar positivamente o ciclo da água em nossas propriedades é do Alan Savory (@asavory2018 ) ecologista Zimbabuano que vem há mais de 6 décadas usando animais para recuperar ecossistemas que vinham sendo desertificados pelo manejo industrial e pela biologia da conservação.
Para garantirmos água limpa e viabilidade econômica na produção agrícola para as próximas gerações, precisamos produzir alimentos melhorando cada vez mais a ciclagem de nutrientes no solo e o ciclo da água em nossas propriedades.
Precisamos maximizar a capacidade de fotossíntese e a biodiversidade de nossos sistemas, mas para isso precisamos ter acesso a água em um contexto em que as mudanças e o controle climático dificultam muito para a produção primária. Esse quadro de negligência com a saúde do solo e do ciclo hidrológico em nossas propriedades tem causado um processo acelerado de desertificação e longos períodos de estiagem alternados com enxurradas repentinas em muitos lugares.
Assim como os sistemas agroflorestais, a pecuária bem manejada tem papel central na recuperação do ciclo hidrológico, mas o manejo precisa ser natural.
A água, camada 3 da EPLC é o tema dessa convers com o @victorciintra_ nesse episódio mais recente da da Jornada do Jardineiro. Também disponível nas plataformas de áudio.
Conto com o seu apoio para levar esse cuidado com a água para o maior número possível de pessoas dispostas a viver com ética ecológica ;)
#água #3Água #jornadadojardineiro

Sep 17, 2024
Sep 17, 2024
58 min
Entender como a água se comporta no relevo é fundamental para desenvolvermos um cuidado ético! A Geografia da Linha Chave aborda o relevo pelo entendimento de linhas primordiais. O nível do mar é a linha à partir da qual entendemos altitudes. Os talvegues são as linhas de escoamento de água; por meio das quais os continentes devolvem as águas para o mar. Esse acúmulo de águas nos talvegues se dá porque a água sempre escorre perpendicular (a 90°) à curva de nível. E as cumeeiras, são as linhas divisoras de água no relevo e, por consequência, são lugares mais secos e com menos sedimentos (solos mais rasos). Essas três linhas acontecem naturalmente. O lugar, em um talvegue, onde a água vem de um movimento rápido com potencial erosivo para um de deposição de sedimentos é o Ponto Chave. Desse ponto o Yeomans derivou a Linha Chave. A Linha Chave é um conceito humano que pode ser utilizado em conjunto com as outras linhas naturais para melhorar a hidrologia, prevenir erosão e maximizar a produção nos terrenos onde intervimos. O Ponto Chave é o ponto a partir do qual temos o melhor custo benefício entre movimento de solo e quantidade de água armazenada. Acima desse ponto é possível armazenar água em açudes de contorno (ou de curva de nível) localizados em cumeeiras ou açudes de sela (entre duas protuberâncias na linhas de uma cumeeira). Abaixo da Linha Chave Yeomans traçava uma outra linha em curva de nível para irrigar tratos de terra por inundação. Essas linhas são conceituais. A junção das linhas naturais com as conceituais permitem entender o terreno em 4 áreas: uma de captação de água, uma de armazenamento, uma de utilização e uma de reaproveitamento. E leitura do relevo por meio das ordens (principal, primária, secundária, etc.), das linhas divisoras (cumeeiras) e das linhas de escoamento de água nos permite derivar o que Yeomans denominou Unidades Primárias de Terreno.

Aug 31, 2024
Camada 1 - Clima T.02 EP.02
Aug 31, 2024
Aug 31, 2024
48 min
Você já parou para pensar em como o seu estado emocional pode influenciar a forma como você percebe e interage com o mundo ao seu redor? No episódio 2, mergulhamos fundo no conceito de "clima da mente", discutindo como o nosso estado emocional e psicológico afeta a vida cotidiana, tanto em ambientes urbanos quanto rurais. Exploramos como essas emoções e mentalidades impactam não só a nós individualmente, mas também as comunidades em que vivemos.
Além disso, falamos sobre o clima em um sentido mais amplo e geográfico. Discutimos como o clima afeta diretamente nossos ecossistemas, influenciando a agricultura, a urbanização e as atividades humanas em geral. Analisamos as diferentes zonas climáticas do mundo, como tropical, temperado, polar e árido, e como cada uma dessas zonas influencia a vida das pessoas, determinando o tipo de vegetação e fauna, assim como as práticas sociais e econômicas predominantes.
Também discutimos o impacto das mudanças climáticas e como elas estão alterando padrões climáticos, resultando em eventos extremos como secas e inundações, que têm consequências significativas para nossas vidas e para a saúde do planeta. Abordamos ainda a existência de microclimas, pequenas variações dentro de uma mesma região, que são influenciadas por fatores locais como montanhas e corpos d'água, e como esses microclimas afetam a biodiversidade e as atividades humanas.

